Mulheres na Engenharia: uma história de luta, desafios e superação

Por Alcance Engenharia Jr.
engenheira olhando um projeto e falando pelo rádio

A participação feminina na engenharia vem aumentando ao longo das últimas décadas. Estamos conquistando o espaço e o respeito que merecemos! Pensando nisso, foi criado pela Women’s Engineering Society (WES), do Reino Unido, o Dia Internacional das Mulheres na Engenharia. Comemorado anualmente no dia 23 de junho, a data tem o objetivo de fortalecer esse espaço que as engenheiras vêm ganhando na profissão, em meio a tanta superação e desafios.

Então, em homenagem a todas as engenheiras, preparamos este post para relembrar a história de luta das mulheres, desde suas raízes culturais, até as grandes conquistas! Essa luta não trata apenas de melhores condições de trabalho, mas, também, de reconhecimento e valorização de toda a determinação e esforço que desempenham até hoje.

Luta das mulheres no mercado de trabalho

Mulher em casa com o filho (foto antiga).
Mulher em casa com o filho (foto antiga).

É evidente que essa luta não é de hoje. Durante séculos, foi imposto às mulheres o papel de cuidar da casa e dos filhos. As poucas que trabalhavam eram viúvas ou solteiras e o faziam apenas para o próprio sustento — e, claro, sob constante discriminação e desvalorização da sociedade. No entanto, no Brasil, tal cenário começou a mudar significativamente ao longo do século XX.

Em meio ao avanço industrial no país, as mulheres foram conquistando um espaço maior no mercado de trabalho. Mas não se engane, infelizmente, nem tudo são flores! Apesar de a Constituição de 32 ter estabelecido que o sexo não deveria distinguir o salário, a carga horária ou a demissão de um funcionário, sabemos que não foi bem assim. Afinal, embora a mão de obra feminina fosse muito necessária nas fábricas, os homens continuavam a receber salários maiores e ser os principais responsáveis por sustentar a casa. Ou seja, as explorações, desigualdades e desafios enfrentados pelas mulheres perduraram por um bom tempo (e seguem até hoje!).

Pessoas em ambiente de trabalho.
Pessoas em ambiente de trabalho.

Nos dias de hoje, podemos dizer que as questões culturais persistem como desafios no mercado de trabalho. Isso porque muitas mulheres ainda precisam lidar com situações como desigualdade salarial, falta de oportunidades, assédio no ambiente de trabalho e dificuldade de ocupar certos cargos. “Apesar dos avanços conquistados e dos compromissos assumidos para continuar progredindo, as perspectivas das mulheres no mundo do trabalho ainda estão longe de ser iguais às dos homens”, afirmou em nota Deborah Greenfield, Diretora-Geral Adjunta de Políticas da OIT.

Portanto, ainda há muito a ser alcançado. Mas a atual realidade não deixa de ser uma vitória! Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que menos de 14% das brasileiras tinham emprego na década de 1950. Já em 2010, esse número passou para 49,9%! Em meio a tanta luta, as mulheres vêm ocupando uma parcela cada vez mais expressiva do mercado de trabalho com o passar dos anos.

Mulher liderando uma reunião de trabalho.
Mulher liderando uma reunião de trabalho.

A Engenharia

Engenheira trabalhando com máquinas e peças
Engenheira trabalhando com máquinas e peças.

Infelizmente, a Engenharia ainda é vista por muitos como uma profissão estritamente responsável pela construção de coisas. Assim, é facilmente associada a um trabalho puramente “braçal” e, consequentemente, masculino. Mito! Esse mercado é muito mais abrangente do que isso, e nada impede que mulheres participem também!

De modo geral, Engenharia se trata de pensar, estudar, projetar, executar e criar soluções para um problema, nas mais diversas áreas. Portanto, o gênero não deve ser avaliado, mas, sim, a capacidade técnica do profissional! Nesse sentido, o que define bons engenheiros — independentemente do sexo — são suas aptidões, habilidades para desenvolver soluções e competências para lidar com os desafios impostos pela carreira. Portanto, vale lembrar que lugar de mulher é onde ela quiser, inclusive, na Engenharia!

Mulher trabalhando em projetos de Engenharia
Mulher trabalhando em projetos de Engenharia

Ficou curioso sobre a profissão? Confira mais detalhes sobre as diversas áreas desse mercado!

Presença das mulheres na Engenharia

Engenheiros trabalhando em projetos ao redor de uma mesa
Engenheiros trabalhando em projetos ao redor de uma mesa

Apesar de esse mercado ainda ser majoritariamente masculino, a participação das mulheres na Engenharia não para de crescer, e a discrepância nas salas de aula é cada vez menor.  Diante desse cenário, de acordo com dados do CREA-PR (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná), houve um aumento de 78% no número de mulheres registradas no Conselho nos últimos 9 anos, estando mais da metade atuando na Engenharia Civil. Além disso, estudos do Confea (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia) indicam que o número de engenheiras registradas por ano no sistema teve um crescimento de 42% entre 2016 e 2018.

Vale ressaltar que a igualdade de gêneros ainda não é uma realidade na Engenharia. Dessa forma, segundo pesquisas do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), em 2013, o salário médio das engenheiras representava 79% da remuneração masculina. Porém, a boa notícia é que essa diferença está menor e tende a diminuir cada vez mais nos próximos anos!

Ainda que as mulheres enfrentem muito mais preconceitos e desafios que homens ao longo da carreira na Engenharia, elas vêm provando seu devido valor e conquistando um espaço cada vez maior. Não se trata apenas de uma história de luta, mas também de superação.

E a Alcance é um reflexo dessas conquistas! Atualmente, possuímos 50% de presença feminina entre os membros e uma Diretoria Executiva formada apenas por mulheres! Para saber um pouco mais sobre nós, confira nosso site.

Mulheres que revolucionaram a Engenharia

Destruindo preconceitos e quebrando barreiras: conheça algumas das incríveis mulheres que fizeram história dentro da engenharia!

Emily Warren Roebling (1843 – 1903)

Emily Roebling, engenheira-chefe na construção da Ponte do Brooklyn. Imagem: Brooklyn Heights Association
Emily Roebling, engenheira-chefe na construção da Ponte do Brooklyn. Imagem: Brooklyn Heights Association.

Embora não fosse formada em engenharia, ela aprendeu sobre projetos apenas acompanhando o trabalho do marido. Quando ele faleceu, Emily se responsabilizou por sucedê-lo, concluindo a construção da famosa Ponte do Brooklyn — símbolo de Nova York — e assumindo a função de engenheira-chefe da obra. Assim, Roebling se tornou uma grande referência de determinação, liderança e luta pelo direito feminino de acesso à graduação nos EUA.

Enedina Alves Marques (1913 – 1981)

Enedina Alves Marques, graduada em Engenharia Civil. Imagem: hypeness.com.br.
Enedina Alves Marques, graduada em Engenharia Civil. Imagem: hypeness.com.br.

Mulher, negra e pobre: inúmeros foram os preconceitos enfrentados — e superados — pela brasileira durante sua trajetória. Em 1945, se formou em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Assim, Enedina se tornou a primeira mulher graduada em engenharia no Paraná e a primeira engenheira negra do Brasil. Ao longo de sua carreira, participou de importantes obras no estado, como a construção do Colégio Estadual do Paraná e a Usina Capivari-Cachoeira (maior hidrelétrica subterrânea do sul do país). Apesar de viver em uma sociedade machista e discriminatória, a grande engenheira conquistou respeito e se tornou um exemplo de determinação, liderança e superação no meio.

Hedy Lamarr (1914 – 2000)

Hedy Lamarr, atriz e inventora. Imagem: newyorker.com.
Hedy Lamarr, atriz e inventora. Imagem: newyorker.com.

Não só de seu talento no cinema viveu Hedy Lamarr! Além de atriz de Hollywood, Hedy foi uma grande inventora, que muito contribuiu para a engenharia. Durante a Segunda Guerra Mundial, ela criou um sofisticado sistema de comunicação para as Forças Armadas dos EUA. Mais tarde, sua teoria serviu como base para o desenvolvimento da comunicação através de redes móveis que temos atualmente, como Wi-Fi e Bluetooth. Por conta de sua importância, em 1997, a inventora recebeu o título de “mãe do telefone celular” pelo governo norte-americano.

Ginni Rometty (1957)

Ginni Rometty, CEO da IBM. Imagem: Getty Images.
Ginni Rometty, CEO da IBM. Imagem: Getty Images.

Graduada em Ciências da Computação e Engenharia Elétrica, entrou para a IBM — maior empresa de Tecnologia da Informação do mundo — como engenheira de sistemas em 1981.  Desde 2012, ela é CEO da IBM, sendo a primeira mulher a ocupar o cargo na empresa. Apesar de inúmeros desafios, a IBM realizou algumas das maiores aquisições de sua história sob a liderança da engenheira. Em 2019, Ginni Rometty foi eleita a 9° mulher mais poderosa do mundo pela Forbes.

Alba Colon (1968)

Alba Colon, contratada pela General Motors. Imagem: Divulgação Chevrolet Racing.
Alba Colon, contratada pela General Motors. Imagem: Divulgação Chevrolet Racing.

Em meio a tantos desafios e preconceitos, a engenheira provou que há espaço para participação feminina no setor automobilístico. Com muito esforço e determinação, ela mostrou que mulheres também entendem sobre carros. Logo após concluir o curso de Engenharia Mecânica, Alba Colon foi contratada pela General Motors e, atualmente, é engenheira-chefe da Chevy Racing, a equipe da GM na NASCAR. Grandes campeões já venceram pilotando carros projetados por Alba, como Danica Patrick, Jeff Gordon e Jimmie Johnson.

Com muito orgulho de cada conquista, a Alcance Engenharia Júnior deseja um feliz Dia Internacional das Mulheres na Engenharia a todas as profissionais da área!

Aproveite para compartilhar este artigo com as mulheres que te inspiram, mostre a elas o valor de sua força de trabalho!