Engenharia Após a Pandemia

Por Alcance Engenharia Jr.
Pessoa segurando uma mascara

Construção Civil no Cenário Atual

No final do ano passado, as expectativas para o setor da Engenharia eram positivas. Esperava-se que o PIB (Produto Interno Bruto) crescesse em aproximadamente 2%, números bem diferentes dos obtidos nos anos anteriores. No entanto, desde os primeiros meses de 2020, o Brasil vem sofrendo as terríveis consequências econômicas causadas pela pandemia do novo Coronavírus (Covid-19). Desde então, todas os tipos serviços tiveram que se readaptar ou paralisar suas atividades, a fim de reduzir o contágio do vírus. Para evitar aglomerações, escolas estão aderindo o ensino a distância e empresas estão funcionando com home office e e-commerce. 

Como o setor de Construção Civil é considerado um termômetro da economia, grandes prejuízos e perdas foram apresentados e, por isso, a atividade foi considerada essencial para a economia. Por causa disso, a área foi permitida a trabalhar desde que observe todas as medidas estipuladas pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Com isso, surgem dúvidas sobre como será a engenharia após a pandemia.

Nesse período, novas tecnologias surgiram para nos ajudar a se adequar a essa nova realidade e, mesmo após o fim da necessidade do distanciamento social, a tendência é que muitos aspectos da nova forma de trabalho criada pela pandemia continuem como uma alternativa ao que estávamos acostumados ou, até mesmo, como uma nova realidade. Além disso, as responsabilidades e cuidados inseridos nesse segmento da Engenharia só aumentaram. Dentre as novidades no setor para evitar a disseminação do vírus encontram-se: inserção de materiais higienizantes disponibilizados para os funcionários nos canteiros de obra, afastamento dos trabalhadores que se encontram nos grupos de risco e, principalmente, a implantação do home office.

O que será diferente?

Home Office

Pessoa trabalhando em seu computador
Pessoa trabalhando em home office

Acredita-se que a Pandemia revelou um modo de produzir/trabalhar que até então estava oculto no trabalhador empresarial. É senso comum para muitas das empresas que através do home office, foi possível manter a produtividade (algumas vezes até aumentar) e diminuir os gastos empresariais. A tendência pós pandemia, é que o home office se torne cada vez mais popular, tornando-se completamente integrado ao meio empresarial. “A pandemia revelou um novo modo de trabalhar  de morar”- Milton Meyer Filho, Engenheiro e VP da MPD Engenharia.

Partindo dessa premissa, pode-se dizer que o ambiente de moradia será mais valorizado, ao atrelar-se ao daily-job (trabalho diário, em português). Certamente, isso provocará uma fomentação na Construção Civil, que terá que apresentar facilidades que contemplem essas duas necessidades dos clientes, a de moradia e a de trabalho.

Devido ao fato de os programas utilizados permitirem que duas ou mais pessoas trabalhem nele simultaneamente em um mesmo projeto, o trabalho remoto ficou ainda mais viável. Além disso, diversas plataformas surgiram a fim de suprir as necessidades de videoconferências, permitindo que diversas reuniões marcadas fossem realizadas no meio virtual, sem a necessidade que todos estejam juntos para discutir temas importantes.

O home office também pode ser uma opção para que a empresa reduza gastos associados ao trabalho presencial além de aumentar o conforto dos trabalhadores que não tem que se preocupar com o deslocamento e, muitas vezes, podem ter uma flexibilização maior de suas horas de trabalho. Além disso, garante-se ao empregado uma melhor qualidade de vida, por estar em um ambiente confortável e próximo à sua família.

No entanto, o trabalho remoto também tem seus pontos negativos, uma vez que não há como garantir a produtividade de um funcionário, fazendo com que ele esteja vulnerável a possíveis distrações e comorbidades, além de ser necessário que todos os funcionários tenham uma boa infraestrutura em casa, como boa qualidade de internet e computador. Para além dessas, existem outros problemas que podem ser enfrentados quando se trabalha de casa, sendo eles a fragilização das relações dos funcionários e a existência de um risco maior do vazamento de informações importantes e/ou sigilosas.

Sustentabilidade

Pessoas plantando
Pessoas plantando

Além das mudanças provocadas pela pandemia, muitos acreditam que, nesse período, haverá uma aceleração de mudanças que já estavam acontecendo na sociedade. Dentre essas, podemos ressaltar a sustentabilidade que vem se tornando cada vez mais uma prioridade das pessoas e das empresas.  Empresas que adotam práticas sustentáveis já apresentam um diferencial em relação aos seus concorrentes e a tendência é que esses diferenciais criem um novo padrão no mercado. Na engenharia, já podemos observar diversas práticas sustentáveis se popularizando. Alguns exemplos são o uso de materiais alternativos para a construção, como é o caso do Wood Frame, a preocupação com energias limpas, como vemos na popularização do uso de energia solar e o cuidado com desperdício e a manutenção dos recursos hídricos, que pode ser exemplificado com o aumento da procura por projetos com captação da água da chuva.

Quer saber mais sobre sustentabilidade na engenharia? Temos um texto muito bom sobre o assunto!

Novas Tecnologias

aperto de mão por meio do computador
O uso de novas tecnologias na engenharia

Infelizmente, a construção civil é uma das áreas que menos aderem novas tecnologias. No entanto, o contexto da pandemia trouxe diversas mudanças com relação a isso. Uma pesquisa realizada pela Prospecta Obras entre 27 e 30 de abril, startup que detectam e acompanham obras em andamento por todo o Brasil, evidenciou alterações no pensamento das empresas quanto a investimentos em novas tecnologias na construção civil.

Segundo a pesquisa, 87% das empresas têm em vista um aumento desse investimento em tecnologias e para 68% dos entrevistados o contexto da pandemia que trouxe essa visão. Dentre essas novas tecnologias estão: Inteligência Artificial e Robótica, com 37% dos entrevistados, seguido por Big Data e Drone, com 33% e 18% respectivamente.

O setor pode ser muito influenciado pela Inteligência Artificial e Robótica, que propicia diversas aplicações, desde projetar, melhorar a experiência para o cliente até análises, manutenções e robotização do canteiro de obra. Colaborando para essa automatização do canteiro, está a utilização dos Drones, que auxiliam no processo de mapeamento e levantamento topográfico, monitoramento dos operários e dos estágios da obra e inclusive na identificação de patologias em locais de difícil acesso. Já o Big Data consiste na análise e armazenamento de uma quantidade gigantesca de dados que possibilitam a otimização dos projetos, redução de custos e materiais, contribuindo para um melhor atendimento ao cliente e aumento da sustentabilidade.

Todas essas novidades podem modificar de maneira elevada o cenário arcaico da construção civil. Um estudo da consultoria McKinsey aponta que dentre 22 setores pesquisados em questão de digitalização, a construção só ganha da caça/pesca, evidenciando a necessidade da aplicação das novas tecnologias e do aumento da informatização dessa área.

Grafico de quais sao os setores mais digitalizados
Resultado da pesquisa que mostra quais sao os setores mais digitalizados

BIM e Realidade Virtual

Mulher usando óculos de realidade virtual
O uso de realidade virtual na engenharia

Ainda no contexto de tecnologias, podemos citar o Building Information Modeling (BIM), o qual, apesar de já ser utilizado há algum tempo, está em um processo de transição em diversas empresas ao redor do mundo. Esse sistema busca, em sua essência, unir diversas dimensões de um projeto em um único modelo, possibilitando a integração de todos os elementos necessários para a obra e evitando possíveis conflitos entre os projetos estruturais, elétricos e hidrossanitários. As vantagens da aplicação desse modelo são indiscutíveis, já que ele ajuda na otimização do tempo ao projetar e de recursos do processo construtivo.

O BIM apresenta alguns níveis de organização, denominados dimensões e cada um tem o seu elemento principal: O 3D está relacionado à modelagem e a visualização de incompatibilidades; o 4D integra o cronograma e permite maior controle do tempo e facilidade de planejamento; o 5D inclui o orçamento, possibilitando uma redução de gastos; o 6D compreende tecnologias sustentáveis e colabora para uma maior eficiência; e o 7D traz a gestão da construção, analisando o tempo de vida dos materiais e programando uma manutenção da construção.

Relacionada à todas essas dimensões e ao crescimento do BIM está a Realidade Virtual (RV) e a sua aplicação na construção civil. O sistema computacional possibilitou inúmeras experiências de imersão e interação com um ambiente simulado virtualmente e a utilização desse novo mundo é essencial no cenário de pandemia. Essas experiências imersivas podem vir de diversas formas, com o óculos de realidade virtual, tours virtuais e fotos 360º, e como a pandemia promoveu o isolamento social, essas ferramentas são imprescindíveis para um atendimento personalizado ao cliente.

Como se manter nesse cenário?

Homens analisando dados e planejando recursos da empresa
Analise de dados e controle de gestão são importantes para se manter no mercado durante momentos de incerteza

Sabemos que manter sua empresa ativa e produtiva durante a pandemia é uma tarefa um tanto quanto complicada. Por isso, no decorrer deste tópico, trataremos de algumas estratégias que podem ser utilizadas para se manter firme e presente no mercado. 

Planejamento Financeiro

A primeira atitude a ser tomada deve ser planejada e bem programada com o contador ou responsável financeiro da sua empresa. O objetivo é manter o lucro atual com o menor custo possível. Para isso, é necessária uma avaliação de todos os setores e/ou atividades da sua empresa e suas respectivas relações de custo-lucro. Dessa forma você consegue definir bem quais são  as atividades fundamentais na sua empresa e as áreas que mais gastam que produzem, sabendo exatamente o que deixar de lado, caso seja forçado a realizar cortes financeiros. O BIM, já citado anteriormente, pode ser um grande aliado na busca pela economia no canteiro de obras, uma vez que consegue calcular com baixa margem de erro a quantidade de materiais a serem utilizados, evitando perdas e desperdícios.

Controle de Despesas

É evidente que quase todos estão evitando realizar gastos financeiros nesse contexto de instabilidades e incertezas. Por isso, uma tática que pode ser adquirida é a de adiar o pagamento dos projetos e produtos vendidos pela sua empresa. Durante uma negociação, você pode acordar com o cliente que o pagamento só deverá ser realizado no momento em que o projeto começar a ser desenvolvido, garantindo com que o cliente feche o projeto com a empresa e assegurando uma maior segurança para ambas as partes.

Planejamento de Futuro

Por fim, é importante fazer um planejamento de quais rumos e direções sua empresa vai seguir quando as coisas voltarem ao normal. Estipular prazos para suas metas é muito importante, estabelecendo objetivos de curto, médio e longo prazo, a fim de identificar o caminho pelo qual a empresa passará. Durante o preparo das metas, é importante levar em conta aspectos como, número de funcionários, preços dos projetos, parcerias já existentes ou que ainda vão se estabelecer e como tudo isso afeta sua empresa, objetivando crescer, de maneira sólida. 

Como dito, a construção civil é de elevada importância, servindo como fundamento para a economia nacional. Por isso é importante se adaptar às novas tecnologias, visando uma produção mais rápida, mais ecológica e menos custosa, a fim de que possamos construir um cenário econômico sólido para os tempos que virão depois dessa pandemia.